COP - 10
Debate econômico, polêmicas e pouco interesse da imprensa brasileira

Foram 18 anos de espera. Desde a Rio 92, o mundo aguardava outra chance de debater metas e prazos sobre o consumo responsável de recursos naturais e preservação da biodiversidade. Realizada de 18 a 28 de outubro em Nagoya, Japão, a Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP – 10) alimentou novas esperanças e velhas polêmicas, onde aspectos econômicos ganharam destaque entre as questões ambientais.

“Não há protocolo ambiental algum neste sentido, mas nunca houve tanta chance de se fechar um acordo”, disse o jornalista André Trigueiro durante participação na Rádio CBN.

Mas a biodiversidade é um assunto complexo e exigirá que cada país faça adaptações para incluir o tema em seus modelos econômicos. Com a participação de 192 países, a COP – 10 é uma verdadeira “batalha” de interesses entre “países desenvolvidos” e “emergentes”, entre poder econômico e detentores da maior parte da biodiversidade, respectivamente.

No segundo grupo, o Brasil defende que o protocolo ABS ("Access and Benefit Sharing" = Acesso e Compartilhamento de Benefícios) deve tratar do comprometimento, regulamentação, fiscalização e cumprimento das diretrizes sobre uso e remuneração da biodiversidade.

Outro ponto importante – e difícil - para o Brasil durante a COP – 10 foi a discussão sobre biocombustíveis. Tudo por causa do impacto causado durante a COP 2006 (Curitiba), na qual biocombustíveis eram considerados “prejuízo à produção de alimentos e à biodiversidade”. O Brasil propôs a mudança do artigo que fala da "regra de precaução", com o argumento de que muitas evidências mostram “eliminação de riscos no impacto na biodiversidade, na segurança alimentar e nas mudanças indiretas no uso da terra”.

O polêmico Protocolo ABS voltou a ser discutido no último dia 27, no chamado "High Level Meeting", ou seja, o encontro das mais altas autoridades de cada país, na tentativa de se chegar a um acordo sobre os pontos que ficaram abertos nos grupos de trabalho da COP-10.  O Brasil liderou o bloco dos que buscam compensação financeira pelo uso de seus recursos genéticos, contrariando interesses dos países desenvolvidos e suas indústrias famarcêuticas e cosméticas.

“Um grande avanço na COP – 10 é que já existe uma metodologia para se saber quanto vale um ecossistema, por exemplo. Quando você põe um sentido econômico ao debate, fica mais prático, mais objetivo”, completou o jornalista André Trigueiro, que criticou a falta de cobertura do evento por parte da imprensa brasileira.

 

27/10/2010
Fontes de pesquisa: matéria da Agência EFE publicada no Terra Notícias em 22/10/10
Entrevista jornalista André Trigueiro/Rádio CBN Link